Amor de Deus

Amor que Constrange

Reflexao sobre o amor de Deus revelado na cruz e o chamado a viver em santidade.

Por Ariel Zimbrão7 min de leitura

Imagem de capa: Amor que Constrange

Parte de: Sermões

Texto-base: Romanos 5:7-8 (ler na NVI) | Textos de apoio: Joao 3:16; Romanos 3:22-28; 2 Corintios 5:14

Introducao: o amor mais inexplicavel que existe

Nos primeiros capitulos de Romanos, Paulo esta explicando a natureza da fe e da salvacao. Ele mostra que ninguem consegue ser justificado pelas proprias obras, nem pela propria justica. E ali, no meio da explicacao sobre a graca, surge uma declaracao que atravessa os seculos e constrange todo aquele que a compreende de verdade:

"Dificilmente havera alguem que morra por um justo; pelo homem bom talvez alguem tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por nos: Cristo morreu em nosso favor quando ainda eramos pecadores." (Romanos 5:7-8)

O que Paulo diz e simples: e raro alguem morrer ate por uma pessoa boa. Deus, porem, foi muito mais longe. Enviou o proprio Filho para morrer no lugar de gente que O desprezava e zombava dEle, gente que vivia longe dEle, inimigos do Seu Reino (Rm 5:10).

Pense nisso. Talvez voce arriscasse a vida por um filho, pela sua esposa, quem sabe por um amigo muito proximo. Mas por alguem que te odeia? Por um assassino, por um traidor? Pois foi isso que Deus fez. Amou o que nao tinha nada de amavel e entregou o inocente em favor dos culpados. Esse e o amor que constrange.


O amor de Deus e incompreensivel ao coracao humano

O amor humano vive de condicoes. A gente ama enquanto e correspondido, enquanto recebe atencao e encontra ali alguma coisa que agrada. Ja o amor de Deus e de outra natureza, completamente diferente. Ele ama porque e amor. Nao fica a espera do merecimento, pois sabe que nao ha em nos nada capaz de justifica-lo.

Em Joao 3:16, lemos:

"Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho unigenito, para que todo o que nele crer nao pereca, mas tenha a vida eterna."

Precisamos resgatar a profundidade desse versiculo. Ele nao e um bordao qualquer; e um grito de amor divino que ecoa atraves dos tempos. Deus tanto amou: repare na intensidade dessa palavra. Um amor que nao parou no sentimento e avancou para a acao. Um amor que deu, que se entregou por inteiro, ate o sacrificio.

O mundo oferece um amor que sempre cobra retorno; Deus amou sem exigir garantia alguma. Ele sabia que muita gente rejeitaria esse amor e zombaria de Cristo. Amou assim mesmo.


Cristo morreu por nos quando ainda eramos pecadores

Aqui esta o centro do Evangelho. O amor de Deus nao tem nada a ver com merito; ele brota da graca. Cristo nao esperou o homem melhorar. Nao ficou aguardando arrependimento nem mudanca de vida. Veio quando ainda estavamos distantes, afundados no pecado e na rebeldia.

Romanos 3:23-24 declara:

"Todos pecaram e estao destituidos da gloria de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graca, por meio da redencao que ha em Cristo Jesus."

Deus nos amou na nossa pior versao. Justo quando ninguem nos queria, Ele nos escolheu. O amor dEle vem antes de qualquer resposta nossa: a gente so O ama porque Ele amou primeiro (1 Joao 4:19).

Isso devia gerar em nos uma humildade profunda. No fundo, o Evangelho nunca foi sobre o que fizemos por Deus. Ele fala do que Ele fez por nos.


O amor de Deus se manifesta na cruz

A cruz e o ponto mais alto do amor divino. Foi ali que o ceu e a terra se encontraram: a justica de Deus foi satisfeita e o Seu amor se revelou por inteiro. Cristo, o justo, levou a punicao no lugar dos injustos. O sangue derramado no Calvario e a assinatura eterna do amor de Deus.

Quando olhamos para a cruz, vemos o preco da nossa redencao. Cada gota de sangue foi um ato de amor. E cada ferida, cada dor, tambem foi. Ali o amor deixou de ser sentimento e virou sacrificio.

Mas ha algo mais: a cruz revela tambem o quanto Deus odeia o pecado. Seu amor e tao puro que exigiu a morte do Filho para que o pecado fosse vencido de vez. Isso devia nos fazer parar e pensar: se o pecado custou a morte de Cristo, por que a gente ainda o trata com tanta leveza?


O amor que constrange

Escrevendo aos corintios, Paulo diz: O amor de Cristo nos constrange. (2 Corintios 5:14). O verbo "constranger" traz a ideia de "pressionar por todos os lados", de "tomar conta por completo". E como se o amor de Deus empurrasse a gente a viver de outro jeito, movido por gratidao e reverencia.

O amor que salva tambem transforma. Ele nos livra da condenacao e, ao mesmo tempo, nos chama a um novo modo de vida. Quando a gente entende o tamanho desse amor, ja nao consegue viver indiferente. Somos levados a responder com entrega, numa vida de santidade e devocao.

Por isso mesmo, o amor de Deus vai alem do consolo. Ele confronta, mostrando o quanto a gente ainda precisa mudar. E nos convida a morrer para nos mesmos, um dia de cada vez.


O amor que nos leva a santidade

Precisamos entender uma coisa: o amor de Deus nunca foi permissao para pecar. Ele e um chamado a transformacao. Quando cai a ficha de quanto custou a sua salvacao, voce para de usar a graca como desculpa e passa a usa-la como impulso para viver em obediencia.

Cada pecado que a gente comete e como uma ferida nova no coracao daquele que nos salvou. Toda vez que colocamos o mundo acima de Cristo, repetimos o gesto de Pedro diante da fogueira, negando o Senhor.

Mas, assim como Pedro foi restaurado pelo amor de Jesus (Joao 21), a gente tambem encontra graca sempre que volta arrependido. O amor que nos confronta e o mesmo que nos restaura.


O amor que perdoa e renova

O amor de Deus e paciente e nao desiste da gente. Se tropecamos, Ele nos levanta. Se esquecemos, Ele nos lembra. A graca nos alcanca todo dia, ate naqueles em que nem conseguimos orar. E o Espirito Santo trabalha para nos recordar da cruz e reacender a chama do arrependimento.

E por que Deus nos perdoa tantas e tantas vezes? Porque olha para o sangue de Cristo, o sangue que ja pagou o preco de cada falha. A cruz nao ficou presa no passado, como um evento isolado. Ela e um ato que ecoa para sempre: Cristo segue sendo o nosso intercessor e advogado diante do Pai.


O amor que nos chama a viver para Ele

Se Cristo morreu por nos, o minimo que a gente pode fazer e viver por Ele. Uma vida transformada e o fruto verdadeiro do amor que recebemos. Paulo diz em Romanos 12:1: Rogo-vos, pois, irmaos, pelas misericordias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrificio vivo, santo e agradavel a Deus, que e o vosso culto racional.

Deus quer mais do que palavras; Ele quer entrega. O amor que recebemos nos chama a amar de volta, e a viver isso com obediencia, generosidade e fidelidade. Amar a Deus e deixar o Seu carater transparecer nas nossas atitudes, em casa ou no trabalho, no jeito como tratamos os outros.

O amor que constrange nos tira da zona de conforto e nos empurra para a pratica.


Conclusao: lembrar da cruz e responder ao amor

O amor de Deus quer mais do que ser celebrado; ele quer ser correspondido. Toda vez que lembramos da cruz, precisamos lembrar tambem da dor, do sangue e da graca que nos alcancou. Lembrar que eramos inimigos e fomos feitos filhos. Que eramos po e fomos coroados de gloria. E que a graca que nos salvou continua disponivel para nos transformar.

Nao existe nada que a gente possa dar a Deus capaz de pagar o que Ele fez. Ainda assim, da para oferecer o que Ele pede: o coracao. Que esse amor constrangedor nos leve alem do cantar, ate uma vida de santidade, com choro pelos nossos pecados, com busca pela presenca dEle e com o Seu amor refletido neste mundo.

Deixe que o amor de Cristo te constranja hoje. Permita que a lembranca da cruz reacenda em voce o fogo da fe. Se voce esfriou, volte hoje mesmo. Se tem vivido na indiferenca, lembre-se de uma coisa: o amor que te salvou continua te chamando para perto. Que esse amor nos mova a amar o proximo, a servir no Reino e a viver de modo digno do sacrificio de Jesus.

Ariel Zimbrao

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