Santidade

Caminho de Santidade

Reflexão sobre a santidade de Deus, a purificação e o chamado ao serviço.

Por Ariel Zimbrão7 min de leitura

Imagem de capa: Caminho de Santidade

Parte de: Sermões

Texto-base: Isaías 6:1-8

Introdução: o foco além do envio

Muitos sermões sobre Isaías 6 acabam parando no momento em que Deus pergunta: A quem enviarei? E quem há de ir por nós? E é comum destacarem a resposta de Isaías: Eis-me aqui, envia-me. Com razão, aliás. Esse é um dos momentos mais conhecidos e inspiradores das Escrituras, porque fala do chamado, do compromisso assumido e da disposição de servir ao Senhor.

Só que, olhando com atenção, dá para ver que antes do chamado existe algo ainda mais profundo aqui: a visão da santidade de Deus e a purificação de Isaías. Repare na ordem. O ponto de partida do chamado de Deus não é a obra que Ele quer realizar através da gente. É a transformação que Ele faz por dentro. Isaías só foi enviado depois de ter sido purificado.

E talvez seja justamente esse o ponto mais esquecido: ninguém é de fato enviado antes de ser tocado pela santidade de Deus. Antes do envia-me, vem o Ai de mim!.


O contexto histórico do chamado

Isaías começa dizendo: No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor. Tem muita coisa nessa frase. Uzias foi um rei que começou bem e terminou mal: o orgulho o dominou, ele quis tomar para si o papel de sacerdote e terminou ferido pela lepra. Judá atravessava um período de instabilidade política e espiritual. É bem nesse cenário de perda e crise que Isaías recebe a visão que transformaria por completo a sua vida.

Muitas vezes é na crise que Deus revela a Sua santidade. Quando tudo parece ruir, é ali que Ele mostra que o Seu trono nunca fica vazio. Uzias morre, e Isaías vê o Senhor. O trono humano treme; o celestial permanece firme.


A visão da santidade de Deus

Isaías tem uma visão de tirar o fôlego, dessas que ninguém esquece. Ele vê o Senhor assentado num trono alto e sublime, e a aba das Suas vestes enche o templo inteiro. Em volta, serafins voam cobrindo o rosto e os pés, e proclamam:

Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da Sua glória.

Repare: os serafins, seres perfeitos e puros, cobrem o rosto diante de Deus. Nem eles suportam encarar toda a glória do Altíssimo. E o ensino aqui é simples: diante da santidade de Deus, toda criatura se curva.

O triplo santo mostra que a santidade está no centro do caráter divino. Deus é amoroso, misericordioso e justo, e acima de tudo é santo em cada uma das Suas manifestações. Tudo o que Ele faz é puro, longe do mal. Por isso a santidade é mais do que um atributo de Deus: ela é a própria natureza dEle.


O reconhecimento do pecado

Diante dessa glória, Isaías cai em si e exclama:

Ai de mim! Estou perdido, porque sou homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de lábios impuros.

Ver a santidade de Deus revela a verdade sobre nós mesmos. Ninguém percebe o tamanho do próprio pecado enquanto não enxerga o tamanho da santidade de Deus.

Isaías era profeta, homem de Deus, e ainda assim, diante daquela glória, reconhece a própria miséria espiritual. Isso nos lembra que o primeiro passo da santificação é admitir a própria impureza. Quem se justifica, Deus não purifica; quem confessa, Ele purifica.

Aqui os lábios não dizem respeito só à boca; eles apontam para o coração, porque, como Jesus disse, A boca fala do que está cheio o coração. Isaías percebe que até o instrumento que usaria para servir, a própria voz, estava impuro. Quantas vezes a gente usa os lábios para adorar e, no mesmo dia, usa para ferir, mentir ou murmurar?


A purificação do profeta

Então um dos serafins voa até ele trazendo uma brasa viva, tirada do altar, e toca os lábios dele dizendo:

Eis que isto tocou os teus lábios, a tua iniquidade foi tirada, e o teu pecado, perdoado.

Essa é uma das imagens mais bonitas de purificação em toda a Bíblia. O fogo fala de juízo e também de limpeza. E a brasa veio do altar, o lugar do sacrifício. Ou seja, o perdão de Isaías nasce de uma base sacrificial, um adiantamento do sacrifício perfeito de Cristo na cruz.

Repare que o toque dói. Purificação tem seu preço. Deus não trata o nosso pecado por cima; Ele põe a mão exatamente na área da nossa impureza. Se está nos lábios, é ali que Ele toca. Se está no coração, é ali também. O processo transforma e, ao mesmo tempo, cura. Santificação dói, mas sara.


Depois da purificação: o chamado

Só depois de tudo isso é que Isaías ouve a voz do Senhor: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? E então, sim, o profeta responde: Eis-me aqui, envia-me. A ordem importa muito: visão, confissão, purificação e, só então, o envio. Essa é a sequência da vida cristã.

Muita gente quer ser usada por Deus sem passar pelo fogo da purificação. Querem proclamar, mas sem disciplina espiritual. Querem ser voz de Deus sem se deixar tocar por Ele. Isaías mostra que quem de fato é enviado é quem antes se deixou purificar.


A vida cristã é um caminho de santificação

O autor de Hebreus ensina: Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. (Hebreus 12:14). Santificação é um processo que nunca para. É ir ficando mais parecido com Cristo a cada dia. Na prática, é fugir do pecado, enfrentar o orgulho, controlar a língua, dominar os impulsos e entregar o coração ao Espírito Santo.

Isso não acontece de uma hora para outra. É uma caminhada diária. Por isso Paulo escreve: Mortificai os vossos membros que estão sobre a terra. (Colossenses 3:5), a cada dia, uma nova renúncia, um novo passo.

E Deus não deixa a gente sem recursos para essa caminhada: a oração, o jejum e a leitura da Palavra.

  • A oração nos mantém conectados ao coração de Deus.
  • O jejum enfraquece a carne e fortalece o espírito.
  • A Palavra renova nossa mente e revela o que precisa ser transformado.

O perigo de servir sem santificação

Dá para estar na obra de Deus e, mesmo assim, andar longe do caminho da santidade. Dá para cantar, pregar, liderar e servir com o coração contaminado. E isso é perigoso, porque a santidade é o selo que autentica o ministério.

Lembre-se de uma coisa: o altar é lugar santo. Quem sobe ao altar precisa subir purificado. No Salmo 24, o salmista pergunta: Quem subirá ao monte do Senhor? e ele mesmo responde: O que é limpo de mãos e puro de coração. Sem santificação, todo serviço acaba perdendo o sentido diante de Deus.


O auxílio do Espírito Santo e da comunidade

E a boa notícia é que a gente não caminha sozinho. O Espírito Santo foi dado para nos santificar. Ele é o fogo que transforma o ser humano por dentro. Quando a gente cai, é Ele quem nos convence do pecado e nos levanta pela graça.

Além disso, Deus colocou a gente dentro de uma família espiritual. Temos irmãos, líderes e pastores por perto para caminhar junto. Se você luta contra o pecado, não lute sozinho. Confissão e comunhão produzem libertação. A igreja é o lugar onde a graça vence o pecado e o amor restaura.


Conclusão: tocados para enviar

Isaías foi tocado bem no ponto da sua impureza e, só então, conseguiu ouvir o chamado de Deus. Pode ser que Deus queira te usar, mas antes precisa te tocar. Ele purifica para depois enviar, transforma o coração antes de acertar a função.

O que Deus procura vai além de obreiros ativos: Ele quer servos santos. Homens e mulheres dispostos a deixar o fogo do altar tocá-los, mesmo quando dói. É desse toque que nasce o ministério de verdade.

Que hoje o Espírito Santo reacenda esse fogo dentro da gente. Que a gente veja o Senhor na Sua santidade, confesse os próprios pecados, seja purificado e então responda de coração: Eis-me aqui, envia-me!

Ariel Zimbrão

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